Por: Maria Eduarda Pinheiro Arruda Moreira
O circo, um dos produtores da arte do riso, surgiu a aproximadamente cinco mil anos, na China. E dos chineses aos gregos a arte circense foi crescendo no mundo, trazendo entre suas atrações as artes cômicas, com os saltimbancos. Na china, as apresentações eram feitas aos monarcas com apresentações de contorcionismo e equilibrismo. Mas foi em Roma, no século VI a.c, que surgiu o primeiro e mais famoso circo daquela época, o “Circus Maximus”. Com capacidade para 150 mil pessoas, era um local de reunião de massa e que contava com apresentações como desfiles de carruagem, lutas de gladiadores, apresentações de animais selvagens e engolidores de fogo. O lugar hoje, abriga o coliseu, substituindo o circo após o incêndio em 40 a.c. No século XIX o circo ganhou a sua principal figura, o palhaço. Essa figura, desde o seu surgimento, antes mesmo do palhaço “branco” também conhecido como “clowns”, ocupava posições importantes na monarquia, como o chamado “Bobo da corte”. Foi na idade média que este personagem teve o seu surgimento. Eram palhaços inteligentes que se faziam de bobos para alegrar o público e fiéis aos seu monarca e ótimos conselheiros.

O Palhaço Piolin
Nascido em Ribeirão Preto, em 1887, Abelardo Pinto, conhecido como Palhaço Piolin. Aprendeu desde cedo a arte do riso, com a cultura circense. Com o seu porte físico, magro com pernas longas, recebeu o apelido pois se assemelhava a um tipo de barbante com as características físicas dele. Nascido em um circo armado na Rua Barão de Amazonas, Abelardo adquiriu suas habilidades através de sua família. Carregando no sangue, a arte do riso. E consagrando-se um dos maiores representantes da arte circense. Além disso, conquistou o reconhecimento de intelectuais na semana de arte moderna. E sua arte serviu de inspiração para artistas como Patati e Patata, Bozo, Pimentinha e outros palhaços consagrados.

MAS A ARTE DO RISO NÃO SE LIMITA AOS PICADEIROS
Sabemos que rir é o melhor remédio para a vida, cura enfermidades e problemas. O riso, desde o surgimento dos primeiros personagens de circo é o resultado de ações destes, capaz de curar o nosso sistema fisiológico, imunológico e até psicológico. Taina, de 30 anos, profissional de Tecnologia da Informação, é palhaça voluntária a aproximadamente quatro anos. Para ela, o riso é a primeira etapa de uma conversa. Além disso, ela define o riso é uma forma de melhor o dia do outro e de si mesmo.
Taina, é só mais uma das histórias de voluntariado espalhadas pelo país e mundo afora. Dentre elas, encontramos a Dany Sardinha, conhecida como a palhacinha ‘Dra Trëma” voluntária do projeto Presente da Alegria. Dany conta que para ela ser uma “Doutora da Alegria”, sempre foi um sonho. Isso porque unia suas duas profissões, atriz e fonoaudióloga.
Gosto da sensação de fazer o bem ao próximo, isso me preenche, me restaura, me deixa feliz e sinto motivada a continuar a minha caminhada. –
- Dany Sardinha, Voluntária do projeto Presente da Alegria

A Dra Trëma, entrou no projeto em 2015, após dois anos na fila de espera. Para ela, o riso favorece o bem-estar do outro. E para se tornar voluntário, não é necessário ser engraço, mas sim querer compartilhar amor. Para ela, o trabalho proporciona uma transformação compartilhada. Isso porque, o humor e a alegria em levar felicidade ao outro, se tornou parte do seu dia-a-dia, mesmo sem o nariz vermelho. Mais do que uma realização profissional, para Dany, essa experiência transformou-se em uma realização Pessoal. Onde, ela foi capaz de crescer e adquirir ao seu lado humano, a vocação do riso. Está, desde o surgimento da figura do palhaço, engajada em todos os que olham ao redor e procuram por sorrisos.
Lançado em 1998, o filme é aclamado pela crítica, foi indicado a premiações como o Oscar e ao Globo de ouro. Além disso, é utilizado como material de referência em algumas universidades como Psicologia, Pedagogia, Medicina e entre outros.
” Rir é soltar algo que esta guardado dentro de você. É se expressar.É se sentir aliviado.É se sentir por vezes ridículo, pois ninguém ou poucas pessoas sabem o motivo do riso.” Daniel Antunes

Liderados por Daniel Antunes, o grupo se uniu para que não faltem sorrisos no mundo. O líder do projeto conta que nunca pensou em cria-lo, mas que um dia teve a vontade ao perceber que algo diferente poderia ser feito ao mundo. Para ele, o riso é importante para que o dia valha a pena. Afinal, os voluntários do projeto têm outras atribuições, as quais nem sempre possibilitam o riso. Então rir, auxilia no respiro do dia. Daniel conclui que a sua criação, pode ajudar não apenas a quem atendem, como também aos atendidos. Os voluntários se transforam no decorrer do trabalho, tornam-se pessoas mais leves, e as pessoas atendidas se sentem tão bem ao ponto de lembrar-se dos narigudos por um longo tempo.
Ao longo dos anos, o projeto trouxe mais voluntários, mais narigudinhos. Estes, tem suas histórias particulares de motivação e que os inspirou a fazer parte disso. A Ieda Maria, é formada em Letras e tem 42 anos. O seu maior sonho é adotar uma criança, ser mãe. Por isso, entrou no projeto como forma de aproximação com as crianças. Além disso, um problema pessoal e familiar foi o ponta pé inicial para que ela deixasse de lado por algumas horas as suas angústias para colocar um sorriso no rosto do outro. Assim como ela, Eduardo, Taina e Deise, também fazem parte dos narigudos. Todos juntos pela empatia, e amor ao próximo. A fim de transformar vidas!
Deise, conta sobre o seu trabalho na fundação casa, e o que leva do voluntariado para os alunos da fundação. Ela acha de extrema importância entender o que se passa dentro do outro, se colocar no lugar e entender suas histórias. Para ela, não sabemos o que se passa dentro do outro, por isso a importância em alegrar. Assim, aquele que recebe o voluntariado, não se sentira aflito, independente de quanto tempo, um gesto, um sorriso ou um abraço é capaz de modificar vidas.
A Psicóloga Gabriella Invernizzi, contou sobre a sua visão como profissional da área. Para ela rir está ligado com as nossas relações, o riso potencializa emoções e alivia a tensão diária do dia-a-dia. Gabi afirma que estamos vivendo a sociedade da performance, onde temos que produzir mais e mais. Assim, entramos em colapso pelo desgaste de nosso corpo e mente. Surgindo o que ela chamou de Patologias da Modernidade, como Ansiedade, Burnout, depressão, pânico e outras.
Sobre a definição do riso, Gabi enxerga o riso como um estado de graça e comunhão com o mundo. Como disse Eduardo, voluntário dos narigudos, trata-se de uma troca. Invernizzi diz que seu objetivo como profissional é acompanhar as pessoas na existência delas. Ajudando-as no que for preciso.

Por fim, o riso contagiante, abraços e alegrias podem preencher nossos dias. Nos transformando. Os palhaços que surgiram na Idade Média, com sua alta capacidade intelectual, já entendiam a necessidade de sorrir. Compreendiam a existência da endorfina e sua importância na vida. Hoje, após séculos podemos passar de coração em coração a alegria de se viver com empatia!


